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Na Índia de Gandhi

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Rute Silva em Nova Deli

Visitei a cidade de Nova Deli em Abril de 2014, a convite de dois parceiros de negócios, um Indiano e outro Nepalês. Aproveitei a oportunidade também para conhecer a Embaixada de Portugal em Deli, onde na altura tinha a decorrer alguns pedidos de vistos de trabalho.

Viajei com um colega diretor de uma empresa semelhante à minha, ambos com o mesmo propósito de negócio.

No aeroporto esperavam-nos os nossos parceiros locais bastante entusiasmados com a nossa chegada. Senti verdadeiramente a felicidade em nos receberem.

Durante a viagem do aeroporto para Nova Deli foram-nos explicando detalhadamente os locais pelos quais íamos passando e a planificação que tinham destinado para aqueles 4 dias.

Nova Deli reúne duas características, no meu entender, bastante atípicas, que a faz diferenciar-se de qualquer cidade do mundo;  tem uma vertente cultural e religiosa muito intensa e complexa que requer algum estudo e diria mesmo uma preparação, para entendermos tudo o que se passa à nossa volta sem precipitações ou julgamentos. É muito interessante e enriquecedor compreender toda esta filosofia de vida.

Nova Deli, Jardins de Gandhi l

A outra característica é um lado mais “cinzento”, que a nós ocidentais nos gera mais desconforto visualizar, que é a pobreza, o lixo nas ruas, os esgotos a céu aberto, os cheiros, a poluição intensa, porque são milhares de carros e tuk-tuk´s nas ruas. É uma loucura, o trânsito é completamente desorganizado.

Cidade de Deli antiga

Na visita à embaixada fomos muito bem recebidos e ficamos horas a conversar sobre a Índia e o Nepal com o  Embaixador Português, que era um contador de histórias extraordinário, um sábio.

Adorei a conversa e guardo esta frase que ele me disse: “Rute se acha que Nova Deli não tem boas estradas e infraestruturas como esperava, então posso dizer-lhe que a pior rua de Deli é a melhor de Katmandu – prepare-se”. Seguíamos dentro de 2 dias para Katmandu.

Negociar na Índia

Negociar na Índia é peculiar, nomeadamente para mulheres.

Existiram reuniões que ninguém olhava para mim quando eu falava, não baixei os braços nem nunca me coloquei em posição de vítima.

Quando assim era eu levantava um pouco mais a voz, levanta-me e sentava-me novamente, direcionava as minhas questões para as pessoas específicas e aos poucos fui encontrando um conjunto de “técnicas” para me salvarem nesta viagem.

Saí de Deli com o dever cumprido. Atingi os objetivos propostos, trabalhei intensamente e com uma mega gastroenterite, a tomar Imodiuns e Retards de hora em hora.

A minha paciência também foi bastante trabalhada, com resultados visíveis até hoje ahahaha.

Tenciono regressar à Índia, um dia, mas para um roteiro mais espiritual, longe do barulho e da agitação das grandes cidades 🙂

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